Todos os anos, quando o
fim de ano se aproxima, geralmente nos lembramos (quando lembramos) das coisas
que prometemos que iríamos fazer, mas que por alguma razão não conseguimos. São
promessas do tipo: Se dedicar para passar num concurso, passar no vestibular e
fazer psicologia ou engenharia, conseguir um novo emprego, fazer dieta, juntar
um pouco de dinheiro na poupança e muitas outras promessas semelhantes, de modo
que se realmente fôssemos enumerar aqui todas as promessas que fazemos nas
festas de fim de ano, creio que essa página seria pequena.
Para que o próximo fim
de ano chegue e não nos encontre do mesmo jeito, acredito que pensar sobre os
nossos projetos não realizados é algo extremamente importante. Precisamos, portanto,
levantar os seguintes questionamentos: Por que não conseguimos? Por que as
coisas não saíram como o planejado? O que deu errado? Porque chegou mais um fim
de ano e as coisas continuam do mesmo jeito?
Embora não acredite em
respostas simples para problemas complicados como os que envolvem a existência
humana, penso que todos esses questionamentos nos levam em direção a outro
importante questionamento: O que mudou realmente em nossas vidas quando o ano
mudou? Você já parou para pensar nisso? Caso não tenha entendido, formulo a
pergunta novamente, mas de outra maneira: Quando amanheceu o dia após a festa
de fim de ano, o que realmente mudou? Mudou alguma coisa em nossa vida? Nossa postura
mudou? Essa é a grande questão que precisamos entender, pois, na realidade, uma
festa de fim de ano não muda nada. Após a festa temos mais um dia. E depois
outro. E assim sucessivamente, como acontece desde que o mundo é mundo.
Portanto, a questão não
é o ano novo, mas o quanto estamos dispostos a mudar no novo ano que se
aproxima. Ou seja, o quanto estamos dispostos a mudar para ser um melhor pai? O
quanto estamos dispostos a mudar para ser uma melhor mãe? O quanto estamos
dispostos a mudar para ser um melhor aluno? O quanto estamos dispostos a mudar
para ser um melhor crente? E assim por diante. Essa é a questão, ou seja, o
problema não é o ano novo. O problema somos nós. E justamente por isso, precisamos
fazer mais um questionamento: O quanto estamos dispostos a mudar?
Para aqueles que
entendem que precisam mudar posturas em suas vidas para que possam experimentar
dias melhores no ano que se aproxima, mas não sabem exatamente como, apresento
alguns princípios da Palavra de Deus que podem mudar as nossas vidas de maneira
radical.
Primeiro:
Defina melhor as prioridades. Definir prioridades é
definir o que vem primeiro em tempo, em ordem e em dignidade. Noutras palavras,
é escolher aquilo que ocupará lugar de importância em nossas vidas. Se em nossa
caminhada, por exemplo, enfatizaremos o ser ou o ter, as coisas ou as pessoas,
o eterno ou passageiro, aquilo que nos fará melhor ou destruirá a nossa própria
existência.
Muitos, infelizmente, têm
priorizado coisas que prejudicam as suas vidas. Escolhem caminhos de morte e
não de vida. Outros, porém, escolheram priorizar o reino de Deus (Mt 6.33) e
andar fundamentados em amor (Mc 12.28-34) cientes de que esse é o melhor
caminho a ser trilhado, pois tiveram o privilégio de compreender que aqueles
que enveredam por essa estrada não apenas encontraram o sentido para as suas
existências, mas também as demais coisas necessárias para as suas vidas. Que trilhar
por esse caminho também seja a nossa prioridade no novo ano!
Segundo:
Organize o seu tempo. O sábio Salomão dizia que existe tempo
para todo o projeto debaixo do céu (Ec 3.1-8). E o apóstolo Paulo, em carta aos
crentes de Éfeso, os orientava a aproveitar o tempo (Ef 5.16). Que essas
palavras reverberem em nossas vidas, isto é, que encontre aplicabilidade em
nossa existência, pois, quantos de nós, por não observarmos esses princípios, chegam
em algum momento da vida, com a péssima impressão de ter perdido tempo. Isto é, de que
poderíamos ter aproveitado melhor a escola, os amigos, a família, os filhos, os
pais, o trabalho, a igreja e muito do que a vida nos oferece. Portanto, que
nesse ano que se aproxima, não percamos mais tempo! Ele não volta!
Terceiro:
Faça planos. Planeje, pois uma vida sem sonhos, sem
projetos é uma vida sem sentido. Um arco-íris sem cor, uma nuvem sem chuva, uma
luz sem calor, um bolo sem sabor, um café muito amargo, um barco a deriva.
Entretanto, devemos saber, sempre, que resposta certa vem sempre dos lábios do
Senhor onde deve está também alicerçada a nossa confiança (Pv 16.1-2).
Quarto:
Coloque os planos em ação. Não sejamos apenas teóricos, elucubradores.
Não deixemos que nossos projetos fiquem apenas rabiscados, guardados em algum
lugar de nosso pequeno coração, mas os coloquemos em ação. Façamos com que os
mesmos adquiram movimento e prossigamos ruma à materialização, ou seja, que os
mesmos se tornem realidade. Para isso, tomemos mais uma vez uma importante
lição do sábio Salomão. Trata-se do exemplo das formigas. Elas têm uma disciplina
de trabalho. Não precisam de chefes pegando em seus pés. Sabem aproveitar as oportunidades;
o tempo de sol. Sigamos, nesse ano, portanto, o exemplo das formigas e coloquemos
nossos planos em ação (Pv 6.6-11).
Quinto:
Tenha foco. Muitos planos nunca se tornam reais por falta de foco;
ou porque não se sabe exatamente aonde se quer chegar ou porque se perdeu o
foco ao longo da caminhada. O sucesso de nossos projetos e planos, contudo,
dependem em grande medida de quão focados estamos; de saber, como Bartimeu, a
despeito dos muitos gritos contrários que pediam para calar-se, exatamente aonde
queria chegar (Mc 10.51) ou de agir contra a multidão e contra as próprias
limitações, como fez a mulher que sofria a doze anos com um fluxo de sangue para
encontrar a cura (Lc 5.25-34).
Sexto:
Perseverança e paciência. Essas são duas virtudes
indispensáveis para todo aquele que deseja ver seus planos se tornarem reais,
pois, muitos desistem de seus sonhos no primeiro obstáculo ou na primeira
queda. Outros desistem porque estão fortemente influenciados pela visão
imediatista desse mundo pós-moderno. As coisas, segundo pensam, devem ser para
ontem! Os verdadeiros vencedores, no entanto, são aqueles que caíram algumas
vezes, mas se levantaram. Que inclusive tiveram sucessivas perdas, mas não
desistiram. Que esperaram, muitas vezes como Abraão, contra toda a esperança,
mas esperaram. Portanto, que no ano que se aproxima possamos lutar contra todas
as dificuldades para ver nossos planos se tornarem reais.
Sétimo:
Não se deixe abater pelas circunstâncias da vida.
Este verdadeiramente tem sido um dos grandes problemas de nós dias: saber lhe
dar com as circunstâncias da vida, saber ter equilíbrio quando tudo parece
desabar, pois de uma hora para outra a nossa vida pode mudar da água para o
vinho ou virar de ponta a cabeça. Por essa razão, devemos ter sempre em mente
que no ano que se aproxima tudo o que fora planejado, sonhado, projetado pode
não dá certo. E agora? O que fazer? Sei que não é nada fácil, mas devemos ter em
apreço o exemplo de nosso irmão Paulo: aprendi a está satisfeito em todas as
circunstâncias, pois tudo posso naquele que me fortalece. (Fl 4.10-13), visto
que o nosso Deus está sempre no controle de todas as coisas (Rm 8.28). Sendo
assim, erga a cabeça e tente novamente.


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